Smoking fetish: por quê? (uma visão dele)
Por que raios alguém teria um fetiche envolvendo algo que é recriminado pela sociedade e faz mal à saúde? A resposta à essa pergunta não é simples, assim como a maioria dos questionamentos envolvimento a motivação por trás de fetiches e fantasias. Contudo, talvez justamente o fato de fumar ser uma atitude cada vez mais censurável ajude a explicar o porquê de excitar tanta gente, inclusive este que vos escreve.
O smoking fetish não é muito comum, e portanto não é tão debatido quanto outras parafilias mais populares, como a podolatria. Isso torna discussões sobre suas causas um pouco ‘conversa de bar’, no sentido de que não são embasadas por pesquisas ou estudos. Assim, há explicações para todos os gostos, e muito provavelmente diversas delas ocorrem simultaneamente. Algumas das mais comuns apontadas:
Exposição à mídia: em tempos não tão distantes era comum cinema e TV retratarem fumantes, e não poucas vezes com alguma dose de sensualidade, mesmo que sutil.
Convívio com mulheres, principalmente parentes, fumantes: agradeçam a Freud tanto pela fixação oral, quanto pelo complexo de Édipo.
Simbolismo: o ato de fumar pode simbolizar uma personalidade audaciosa, impulsiva, e para alguns isso insinua um certo potencial sexual.
Fato é que o leque de possíveis causas é muito amplo, e às vezes é difícil para o próprio fetichista racionalizar e compreender as causas de seu tesão – dá para entender perfeitamente quem acredita que fetiches não devem ser pensados, mas sim vividos. Contudo, para alguns também faz parte do fetiche pensar sobre ele, e por isso viemos até aqui apresentar o nosso lado dessa história.
Em nosso caso, eu sou o fetichista, e mesmo nós dois sendo sempre muito claros com relação a sexo, perdi muito tempo e demorei a falar com ela claramente sobre isso. O assunto surgiu por acaso, e obviamente fiquei muito feliz quando ela foi totalmente receptiva e sugeriu realizar este fetiche para mim – apesar de não ser fumante (e nem eu), ela já havia fumado Gudangs, Sampoernas e afins esporadicamente.
Eu sou um cara tão sortudo que, de certa forma, o fato dela realizar o meu fetiche está relacionado com aqueles que, ao menos em meu caso, são os fatores determinantes para que eu seja atraído por mulheres fumantes, muito mais do que os listados anteriormente: a submissão e a corrupção.
A submissão – utilizada neste contexto como a perda de sua vontade própria em favor de outro – é parte do dia a dia de boa parte dos fumantes. É fato que a maior parte dos fumantes tem consciência de que seu hábito faz mal, já tentou parar, mas não conseguiu, o que caracteriza um cenário de perda de vontade própria típica da submissão. No nosso caso específico, dado que ela fuma apenas eventualmente, a submissão aparece ao estar pronta para realizar o desejo do outro, sem pestanejar, e sentir grande prazer com isso.
A corrupção é outro aspecto terrivelmente fascinante da atração por fumantes. Pensar em alguém sendo lentamente convencida a fumar – a curiosidade vencendo uma possível repulsa inicial, a descoberta do prazer intenso das primeiras tragadas, e por fim a rendição – é algo tão estimulante quanto o sentimento de submissão narrado anteriormente.
Não é absurdo pensar na submissão e na corrupção como sendo duas faces da mesma moeda, duas características que nesse contexto andam lado a lado. A corrupção inicial leva à submissão, ou a submissão facilita o processo de corrompimento, no final tanto faz – a nós, fetichistas, nos cabe apreciar o resultado disso tudo.
(post publicado originalmente em 6 de fevereiro de 2021)





